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Folhas secas e grãos murchos nos parreirais


Por Reportagem Publicado 11/01/2022

Sol forte e ausência de umidade podem resultar em uma quebra de até 40% na safra de uva

Com estoque alto de suco de uva, este ano os irmãos Rabaiolli, de Imigrante, iriam destinar boa parte das 50 toneladas de uva a serem colhidas para a indústria na Serra Gaúcha. No entanto, a falta de umidade e o sol forte impactam negativamente no parreiral. A perda estimada chega a 50% nas variedades mais tardias.

“É de chorar. Primeiro deu chuva em excesso na florada. Aliado a isso tivemos um aumento absurdo nos insumos e agora veio a estiagem. Nunca vimos nada igual nos 25 anos em que nos dedicamos à produção de uvas”, destaca Marcelo.

As previsões de temperaturas de até 50 graus esta semana criam um cenário ainda mais preocupante. Caso não chova em níveis suficientes nos próximos dias, projetam perdas ainda maiores.  

“A expectativa é pior. O sol forte faz as frutas murchar e secar. Nem sabemos se a indústria vai aceitar essa uva. Temos medo de até perdermos as plantas pela falta de umidade. E isso pode impactar na próxima safra”, comenta Marciano. Em 2019 a estiagem também causou prejuízos, mas estes foram mínimos, pois a falta de chuva começou mais tarde e permitiu o bom desenvolvimento das frutas.

A família ainda amarga prejuízos em função da pandemia, quando os principais mercados para onde os mais de 20 mil litros de suco de uva foram fechados. “As escolas, restaurantes e as feiras foram canceladas. Com isso, nosso produto ficou estocado. Está bem difícil, mas é preciso continuar, pois dela depende o nosso sustento”, observam. 

Plantas estão morrendo

Conforme o técnico da Emater de Imigrante, Maciel Budde, na cidade existem 13 famílias produtoras e uma área de 33 hectares. A perspectiva da safra atual em relação à última prevê uma queda de 30% na produção. De 660 mil quilos deverá cair para 462 mil.

Segundo ele, a estiagem impacta positivamente e negativamente na cultura. “Normalmente em anos mais secos o teor de açúcar na uva aumenta, devido à maior insolação, só que neste ciclo a falta de umidade é tão  severa que tem plantas secando e as uvas desidratam ainda sem estar maduras.”

No Estado, segundo dados do Conselho de Planejamento e Gestão da Aplicação de Recursos Financeiros para Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Uvibra-Consevitis-RS), a queda na produção deverá chegar a 40%. “Se não chover em quantidade suficiente, toda a safra poderá ser comprometida”, destaca o presidente Luciano Rebelatto.

Os grãos de uvas estão ficando desidratados, uma vez que a videira suga o líquido dos frutos para se manter viva. Se o calor persistir por mais alguns dias, e não houver registro de chuvas, há grandes chances do próprio parreiral morrer, ocasionando perdas também nas próximas safras.

Para saber

Das 735 mil toneladas de uvas colhidas em 2020 (IBGE) no Rio Grande do Sul, sendo 502 mil toneladas industrializadas, por cerca de 15 mil famílias, 86% são de variedades americanas. A área cultivada passa de 46 mil hectares.

Toda essa produção é processada por 614 vinícolas no Rio Grande do Sul, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em todo o Brasil, são 831 vinícolas.