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Falta de chuva traz prejuízos para as lavouras


Por Redação Publicado 25/11/2021

Baixas precipitações podem refletir em queda na produtividade. Milho e soja sofrem com ausência de umidade do solo

A falta de umidade nas lavouras de milho e de soja, recém semeadas, agrava os riscos de perdas em produtividade. Com isso, o Rio Grande do Sul não deverá alcançar os 6 milhões de hectares previstos para serem colhidos com soja no ciclo 2020/2021.

O produtor Valério Beuren, de Lajeado, arrenda uma área de terras para o vizinho plantar milho e confeccionar silagem para o gado leiteiro. Com a ausência de precipitações regulares já se prevê um prejuízo de até 60% na lavoura.

“Na época que o milho entrou na fase de pendoamento não choveu e isso refletiu na má formação das espigas. Agora os dias de sol quente e vento seco, as folhas começam a secar rapidamente. Teremos uma silagem de péssima qualidade e baixo rendimento.”

Outro problema apontado é o alto custo com insumos. O saco de ureia comprado no ciclo anterior por uma média de R$ 90, disparou para mais de R$ 265. “Já falam em valores acima de R$ 310. Isso torna o plantio inviável e terá reflexos negativos em todos os setores.”

Altas temperaturas e vento seco

Conforme o extensionista da Emater/RS-Ascar de Lajeado, Alano Tonin, as lavouras começaram a ser castigadas faz umas três semanas com a ocorrência de dias mais longos, altas temperaturas e vento frio no período da noite.

“Nesse processo ocorre um aumento da demanda evapotranspirativa, as plantas aumentam a absorção de água do solo e a evaporação também é potencializada. Em poucos dias o cenário mudou e a expectativa de boa produtividade, acima do normal, pode agora gerar grandes perdas.”

Embora ainda não tenha um levantamento real das perdas, os técnicos de várias cidades como Estrela, Forquetinha, Teutônia e Cruzeiro do Sul começam a receber pedidos para encaminhamento do Proagro e seguro das lavouras.

“As maiores perdas se dão quando o milho está no início da fase reprodutiva, tendo como ponto crítico o período de quinze dias que antecedem o pendoamento e quinze dias posteriores ao pendoamento. E pelas previsões, o cenário é desanimador para os próximos meses.”

Dados apontam para um plantio de 35,4 mil hectares na região, com produtividade estimada em 6,5 toneladas por hectare.

“Esse será um ano muito seco”

Para Estael Sias, meteorologista da MetSul, a estiagem está apenas no início e a falta de umidade no solo começou mais cedo. No ano passado, como outubro foi mais chuvoso, neste período a terra estava preparada para a semeadura.

“Neste ano a chuva reduziu ainda em outubro, sem umidade especialmente na Metade Norte para fazer o plantio. E os prognósticos não indicam chuva suficiente nas próximas semanas para reverter esse quadro”, antecipa Estael.

O produtor que conseguir aproveitar as precipitações esparsas na semana que vem ainda terá que lidar com o déficit hídrico logo adiante, com impactos no desenvolvimento da soja e do milho.

“Esse será um ano muito seco. Alguns prognósticos indicam chuva acima da média lá por janeiro, mas apenas em algumas regiões”, pondera.

Chove hoje

De acordo com o Núcleo de Informações Meteorológicas da Univates de Lajeado, hoje o sol ainda aparece no Vale. Mas, instabilidades associadas à formação de um sistema de baixa pressão, avançam sobre o Estado, e ao longo da tarde, a nebulosidade intensifica sobre a Região.

As condições ficam favoráveis para pancadas de chuva e há risco de temporais isolados, acompanhados de raios e rajadas de vento. A sensação será de muito calor e abafamento antes da mudança no tempo.  A média de chuva será de 15 milímetros.  

Foto Giovane Weber/FW Comunicação