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Ex-policial militar se transforma em meliponicultor em Forquetinha


Por Redação Publicado 07/01/2022

Após mais de 23 anos de profissão, Gerson Jair Krüger, de Bauereck, interior de Forquetinha, é um apaixonado por abelhas sem ferrão. Com mais de 15 espécies em produção, ajuda a manter a diversidade e a preservação do meio ambiente

Abelhas que não oferecem risco à população e podem ser criadas no perímetro urbano. Nem é preciso ter o cuidado com as ferroadas ou mesmo equipamentos de proteção. Pouca gente sabe, mas em Forquetinha mora um dos grandes produtores de abelhas sem ferrão do Vale do Taquari.

Trata-se do policial militar aposentado Gerson Jair Krüger. Ele mantém mais de 100 caixas de enxames onde aloja 15 espécies distintas, sendo que em todo Estado existem 24.

Entrevista

Portal Agora no Vale – Por quantos anos exerceu a função de policial militar?

Gerson – Formei em Lajeado no ano de 1991. Fiz o curso na Saidan. Durante os mais de 23 anos de profissão atuei em Encantado, Forquetinha, Sério, Canudos do Vale e me aposentei na Patran de Estrela. Sempre tive muito apreço por abelhas, tanto que tenho abelhas com ferrão há mais de 30 anos em parceria com um amigo. Colhemos por ano em torno de 500 quilos de mel.

Portal Agora no Vale – E as abelhas sem ferrão, quando decidiu iniciar a criação?

Gerson – Em 2017, eu precisei fazer uma cirurgia do joelho e tive uma infecção hospitalar. Com isso fui impedido de voltar aos gramados. Daí, através de um amigo, Eduardo Gauer, conheci as abelhas sem ferrão. Na verdade eu já tinha alguns enxames, mas apenas por hobby. Ele me explicou como era a criação e decidi ampliar e me dedicar ao meu novo lazer (risos). Hoje tenho mais de 100 enxames de 15 espécies diferentes.

Portal Agora no Vale – A atividade dá retorno financeiro?

Gerson – Eu sempre digo que ela é melhor para a alma do que para o bolso. É preciso ter conhecimento, cuidado e muita dedicação. Eu integro a diretoria da Associação de Meliponicultores do Vale do Alto Taquari (AMEVAT). Através dela conseguimos tirar nossas dúvidas e ampliar o número de produtores. Sugiro para quem estiver na atividade, se associe, pois além do conhecimento que estará disponível com profissionais renomados da área, estará bem representado.

Portal Agora no Vale – Como iniciar a criação?

Gerson – É uma atividade para quem gosta de abelhas. Nem sempre dá lucro, mas é benéfica para a natureza. Elas são responsáveis por boa parte da polinização e com isso alcançamos boas produtividades nas lavouras e na fruticultura. Sempre aconselho adquirir abelhas nativas e se quiser ter algum rendimento financeiro maior, é preciso investir em abelhas com ferrão. Já a divisão dos enxames deve ser feita em épocas de boa florada, preferencialmente na primavera. Já no inverno, além de observar a temperatura dentro das colmeias, é preciso estar atento à alimentação. É recomendado dar mel puro uma vez por semana direto na caixa. Outro ponto importante é ter bastante plantas com boas floradas ao redor do espaço onde é feita a criação.

Portal Agora no Vale – Qual o principal desafio da atividade?

Gerson – Como a falta de regulamentação da atividade torna-se um entrave para a comercialização do produto dentro e fora do Estado, os meliponicultores estão se organizando para legalizar a colheita e o processamento do mel. Atualmente, todo o processo é artesanal e a comercialização é informal, “entre amigos e nas redondezas”. Do ponto de vista nutricional, o mel das abelhas sem ferrão é um alimento rico em minerais e proteínas. O grande diferencial é o paladar. Tem um leque de sabores e aromas. São experiências gastronômicas.

Portal Agora no Vale – E a sua armazenagem é diferente do mel de abelha com ferrão?

Gerson – Sim. O armazenamento do produto precisa ser feito de maneira diferenciada em relação ao convencional porque o mel das abelhas sem ferrão tem maior teor de água. Diante desta especificidade, outro requisito a ser atendido para formalizar a produção é a implantação de sistema para desumidificar o mel. Com até 20% de umidade, o mel pode ser comercializado e mantido em ambiente natural sem correr o risco de fermentar. O mel da abelha sem ferrão tem até 35% de umidade. Portanto precisa ficar armazenado em ambiente refrigerado com até 10 graus. Mas nada disso nos desanima. Vamos lutar para conseguir legalizar a atividade e levar os benefícios do produto para todas as pessoas.

Portal Agora no Vale – Você gostaria de acrescentar algo?

Gerson – Em novembro teremos nosso Seminário Estadual de Meliponicultura. Este deve ser realizado em Forquetinha, no Parque de Exposições Christoph Bauer. Será uma grande oportunidade para troca de experiências e conhecer um pouco mais sobre esta atividade tão importante para a humanidade. Teremos a presença de produtores e profissionais renomados que estudam o segmento diariamente. Esperamos todos lá.

Fotos Giovane Weber/FW Comunicação