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Estiagem: quebra é de quase 60% no milho 24% na soja


Por Redação Publicado 05/01/2022

Alerton Luis Wentz, de Linha Atalho, em Marques de Souza, amarga perdas de até 100% nas lavouras de milho destinadas para a confecção de silagem

A safra gaúcha de milho sequeiro alcançou uma perda de 59,2% até o momento, enquanto no milho irrigado é de 13,5% e na soja a perspectiva atual é de 24% mesmo ainda com a semeadura em andamento que já chegou a 93%.

Os dados são da Rede Técnica Cooperativa (RTC) e divulgados pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS).

Segundo o presidente da federação, Paulo Pires, a chuva desta semana deu uma amenizada na situação das lavouras, mas os prejuízos são irreversíveis para os produtores.

“Este era o momento em que o produtor deveria se capitalizar, inclusive com preços que estão ajudando, mas os custos de produção já são muito altos e iniciamos de forma melancólica o 2022. Já existe uma mobilização das entidades para que tenhamos ações dos governos federal e estadual no sentido de socorrer este produtor que vinha garantindo essa economia e agora o terá que criar mecanismos para vencer este momento de dificuldade”, salienta.

Decretos de emergência

Pires reforça que as cooperativas agropecuárias estão atentas no sentido do que se puder fazer para assistência aos produtores, mas as altas temperaturas e a falta de chuva já acarretam essas perdas irreversíveis.

O dirigente ressalta que é importante que os municípios façam os decretos de emergência neste momento. “Em 2020 produtores de 200 municípios não conseguiram acessar o socorro do governo federal porque não tinham o decreto de emergência. É importante que os prefeitos agora se dediquem a isto”, observa. No Estado 140 municípios já decretaram situação de emergência.

Das cerca de 400 mil propriedades rurais existentes no Rio Grande do Sul, cerca de 140 mil estão com algum problema relacionado à estiagem, sendo que, em 6 mil delas já há insuficiência de água para consumo humano e dos animais.

Medidas

Entre as medidas solicitadas, conforme o presidente da FecoAgro/RS, estão a transferência de dívidas financeiras dos produtores, principalmente as que vencem no primeiro semestre, além de uma política clara de armazenagem de água.

“Nós temos um volume de chuva no Rio Grande do Sul durante o ano muito alto. Se conseguirmos as licenças que hoje não permitem que a gente faça esta armazenagem em APPs, teremos uma grande área irrigada e hoje está sendo trancada por questões de cunho jurídico e tecnicamente sabemos que não traz problemas para o meio ambiente. Onde temos água armazenada temos uma floração fantástica tanto da vida animal quanto vegetal”, complementa.

Tristeza na lavoura

Alerton Luis Wentz, de Linha Atalho, em Marques de Souza, amarga perdas de até 100% nas lavouras de milho destinadas para a confecção de silagem. O alimento seria destinado ao gado leiteiro.

“Na primeira safra tivemos um prejuízo de até 70% e a silagem colhida é de péssima qualidade. Já a segunda safra, provavelmente, se não chover bem nos próximos dias, vamos perder tudo. Isso é muito triste, mas contra as intempéries da natureza nada se pode fazer.”

Outro reflexo negativo é a queda na produção de leite. De 400 litros passou para 200. E para piorar, o preço despencou. “Hoje cobre apenas o custo. Não temos mais lucro. O jeito é reduzir o consumo de ração, apostar em pastagem permanente e irrigação. É a única forma  de manter a atividade.”

Foto Giovane Weber/FW Comunicação