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Área de tabaco deve reduzir em até 7%


Por Redação Publicado 29/10/2021

Entre os motivos está o aumento do custo da mão de obra e equalização do mercado, com a tentativa de reduzir a oferta do produto para garantir melhor preço para a colheita

A 4ª Abertura Oficial da Colheita do Tabaco ocorreu ontem na propriedade de Oladi e Marli Schroeder, na localidade de Faxinal de Dentro, município de Vale do Sol, região do Vale do Rio Pardo, com perspectiva de boa produção no ciclo 2021/2022.

Os dados definitivos sobre a área de produção serão conhecidos no mês de novembro, após o encerramento do prazo de inscrição para o seguro mútuo das lavouras. Mas a estimativa inicial aponta a redução de 5% a 7% em relação aos 273 mil hectares plantados no ano passado nos três estados do Sul do País.

A diminuição, conforme o tesoureiro da Afubra, Marcelino Drescher, é consequência do aumento do custo da mão de obra e equalização do mercado, com a tentativa de reduzir a oferta do produto para garantir melhor preço para a colheita. Observa também que alguns produtores estão migrando para o plantio de soja e milho, pois a lucratividade com o tabaco diminuiu nos últimos anos em relação a essas culturas. 

A secretária da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Silvana Covatti, assinou  termo de cooperação técnica entre SEAPDR e entidades visando a integração de esforços no desenvolvimento do Programa Milho, Feijão e Pastagens após a colheita do tabaco.

O programa foi criado há 35 anos. No último ciclo, os produtores que aderiram ao plantio após colher o tabaco foram beneficiados com a valorização dos grãos. Segundo o Sinditabaco, a área plantada com milho, feijão e soja após o tabaco cresceu 22% na região Sul do país, na comparação com o ciclo 2019/2020, atingindo 144 mil hectares e gerando um rendimento extra estimado em R$ 368 milhões para os produtores gaúchos em 2021.


Durante o evento, o presidente do Sinditabaco, Iro Schünke, destacou que o tabaco, junto da soja, é um dos principais produtos exportados pelo Rio Grande do Sul, fazendo uma contribuição socioeconômica relevante para os municípios e estados que cultivam a matéria-prima. “Somos o maior exportador mundial há 28 anos”, pontuou Schünke.



O presidente da Afubra, Benício Werner, usou a palavra “sustentabilidade” para definir a cadeia do tabaco. “Sustentabilidade remete às questões sociais, ambientais e econômicas e o tabaco se associa a todas elas”, afirmou Werner, referindo-se ao casal anfitrião da abertura da colheita.


Boa perspectiva

Na propriedade de 34,5 hectares, Oladi e Marli plantaram 280 mil pés de tabaco da variedade Virgínia nesta safra, além de soja, milho e criação de gado de corte.

Recentemente, investiram em 64 placas fotovoltaicas para geração de energia usada para operar as estufas e outras instalações da propriedade. Neste ciclo, esperam uma boa produtividade na lavoura. “Queremos colher 50 toneladas de tabaco”, projeta Schroeder, com mais de 40 anos de experiência na atividade.

Colheita chega a 10%


Segundo o presidente da Afubra, as lavouras estão com desenvolvimento favorável, principalmente na região que plantou mais cedo, apesar das chuvas das últimas semanas e a sequência de dias com menos luminosidade.

“Se tivermos tempo mais firme a partir de agora, temos condições de repetir a produtividade da última safra, que foi muito boa, de cerca de 2,3 mil quilos por hectare”, calcula Werner.

No Baixo do Vale do Rio Pardo a colheita chega a 10% da área plantada até o momento, conforme dados da Afubra. Nos três estados do Sul do País, o índice está entre 4% e 5%. No entanto, ainda há regiões onde falta o plantio de 25% da área prevista para esta safra. 


Números do setor


O tabaco destaca-se por estar entre as dez principais atividades da agropecuária do RS. As lavouras são desenvolvidas principalmente por agricultores familiares, sendo que, na safra 2020/2021, mais de 70 mil famílias rurais gaúchas estiveram envolvidas no processo produtivo.

Cerca de 300 mil pessoas estão diretamente ocupadas com a produção, industrialização e exportação de tabaco. Em 2021, o valor bruto da produção (VBP), gerado dentro das propriedades que cultivam a matéria-prima alcançou R$ 3 bilhões. O total das exportações de tabaco produzido no RS movimentou US$ 1,33 bilhão.

O produto foi destinado para mais de 100 países, no ano de 2020. A cultura está presente em 222 municípios do Estado. Na safra 20/21 foram produzidas 283 mil toneladas, respondendo por 45% da produção do Sul do país.

Foto Evandro Oliveira